
Mais proteção para doentes de Aids
A Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ) aprovou no 22/9 substitutivo do senador Arthur
Virgílio (PSDB-AM) a projeto de lei da senadora Serys Slhessarenko
(PT-MT) que define os crimes resultantes de discriminação
ao portador do vírus HIV e ao doente de Aids (PLS 51/03).
A matéria recebeu decisão terminativa (que nem precisa
ir a plenário), informou a Agência Câmara.
O projeto prevê detenção, de 1 a 4 anos, e
multa para quem recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição
ou impedir que permaneça como aluno o portador de HIV em
creche ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público
ou privado. Na mesma pena incorre quem negar emprego ou trabalho,
exonerar ou demitir de cargo ou emprego, segregar no ambiente de
trabalho ou escolar, recusar ou retardar atendimento de saúde
e divulgar a condição de portador do HIV ou de doente
de Aids com o intuito de ofender-lhe a dignidade.

Teste
do pezinho
terá dia nacional
A Comissão de Educação do Senado Federal aprovou
no dia 12 de outubro a criação do Dia Nacional do
Teste do Pezinho, a ser celebrado anualmente em 6 de junho. Realizado
em recém-nascidos, o teste permite a detecção
precoce e o tratamento bem-sucedido de problemas como a fenilcetonúria,
o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística e a
anemia falciforme.
A decisão da comissão teve caráter terminativo,
isto é, não precisa ser votada em outras instâncias
do Congresso Nacional.

Células-tronco em socorro do fígado
Um estudo iniciado há dois anos pela equipe do Laboratório
de Engenharia Tecidual e Imunofarmacologia do Centro de Pesquisa
Gonçalo Moniz (Fiocruz-BA), que utiliza células-tronco
de medula óssea no tratamento de doenças do fígado,
começou a ser implantado em Salvador. Com a iniciativa, o
Brasil é o pioneiro no mundo em transplantes com células-tronco
para tratamento de doenças hepáticas.
Segundo o coordenador do projeto, Ricardo Ribeiro dos Santos, o
transplante de células-tronco não elimina a necessidade
de transplante do fígado, mas ajudará as centenas
de pessoas que estão à espera de um órgão
sadio. “Não é cura, e sim sobrevida”,
disse o pesquisador.
Uma das doenças que mais preocupam os pesquisadores é
a cirrose hepática, que provoca a destruição
de células do fígado, por vírus ou ingestão
de álcool, e resulta em lesão irreversível.
Os procedimentos serão realizados no Hospital São
Rafael, onde cerca de 120 pessoas estão na fila de espera
de transplante, para uma média de 6% a 7% de doadores.

Secretário critica ações
judiciais para remédios
O secretário estadual de Saúde de São Paulo,
Luiz Roberto Barradas Barata, criticou no artigo “Remédios
na dose certa”, publicado no Jornal do Brasil em 12 de setembro,
o descaso com a assistência farmacêutica. Ele lembrou
que a Constituição prevê o direito à
assistência farmacêutica gratuita, mas não há
parâmetros para esse direito.
Para o secretário, os medicamentos distribuídos pelo
SUS no Brasil são padronizados pelo Ministério da
Saúde, o que significa que existe mapeamento das drogas disponíveis,
avaliação de eficácia e controle. “Trata-se
de um trabalho técnico, de especialistas”. No entanto,
como a Constituição se pronuncia apenas em relação
ao direito à assistência farmacêutica gratuita,
cresce o número de ações contra municípios,
estados e União por medicamentos não-padronizados,
de eficácia duvidosa ou sem registro da Anvisa. Os juízes
expedem liminares ou mandados de segurança para entrega de
medicamentos sequer testados, o que representa sério risco
à saúde pública. Há mandados que determinam
a entrega em 48 horas, e a secretaria passa o beneficiário
da ação na frente dos demais. “Situação
injusta, no mínimo”.
A secretaria distribuiu, em 2004, seis milhões de medicamentos
de alto custo, beneficiando 200 mil pacientes de doenças
raras e crônicas — investimento de R$ 480 milhões,
entre recursos estaduais e federais, informou o secretário.
As ações judiciais demandaram R$ 48 milhões.
Somente no primeiro semestre deste ano já foram gastos R$
86 milhões.

Surto de rotavírus assusta
Amazonas
A gastroenterite, doença causada pelo rotavírus,
matou 11 pessoas em setembro, das quais seis crianças, em
Ipixuna, a 1.380 quilômetros de Manaus, anunciou a Secretaria
de Saúde do Amazonas. Para combater o surto epidêmico
na região, a secretaria enviou dois infectologistas do Instituto
de Medicina Tropical de Manaus, um pediatra e 500 quilos de medicamentos,
de soro a antibióticos, e fraldas.
Duas pessoas morreram menos de 24 horas após a confirmação
da doença. Das seis crianças mortas, quatro eram da
etnia culina. Elas morreram praticamente sem assistência médica
devido ao difícil acesso às aldeias, só possível
em seis horas de barco. Além disso, o Rio Juruá, que
margeia Ipixuna, enfrenta sua maior seca em 28 anos, o que dificulta
mais ainda o acesso (a estiagem vem afetando os estados da Amazônia,
e em certas regiões já foi decretado estado de calamidade
pública). O secretário estadual de Saúde, Wilson
Alecrim, afirmou que em algumas aldeias os pais não deixam
que as crianças recebam o soro, complicando o trabalho dos
técnicos da Fundação Nacional de Saúde.
Há ainda 17 pessoas internadas com suspeita da doença
no hospital do município. Os sintomas são perda de
apetite, vômito, diarréia e desconforto abdominal.
Para o secretário de Saúde de Ipixuna, Maurício
Lima, a seca torna o atendimento à população
mais difícil. “Temos um aeroporto, mas só há
aviões uma vez por semana ou vôos fretados”,
contou. Em Ipixuna, apenas dois médicos cuidam de uma população
de cerca de 30 mil pessoas.

Estado de emergência na África
A África está perdendo a batalha contra a tuberculose,
alerta a Organização Mundial de Saúde, que
declarou estado de emergência no continente, onde meio milhão
de pessoas morrem por ano dessa doença aparentemente tão
fácil de combater. O número de novos casos de tuberculose
foi multiplicado por quatro em 18 países, desde 1990, e continua
crescendo. Como doença oportunista, é uma das principais
causas de morte entre infectados com o vírus da Aids. O crescente
índice de abandono do tratamento (15%) pelos tuberculosos
agrava a situação.
A OMS pede que os governos africanos reforcem o combate à
tuberculose. O fundo mundial de luta contra a Aids, a malária
e a tuberculose vem financiando, desde sua criação,
há três anos e meio, mais de 300 programas de combate
às três doenças. No período, a OMS destinou
US$ 3,1 bilhões ao tratamento de 220 mil pessoas com Aids,
600 mil com tuberculose e 1,1 milhão de vítimas da
malária.
Mas a OMS calcula em US 2,2 bilhões os recursos a mais necessários
no período 2006- 2007. Em toda a África, 15% das pessoas
que recebem assistência médica para esse mal abandonam
o tratamento.
A tuberculose mata dois milhões de pessoas por ano, e a
África, com 11% da população mundial, concentra
a quarta parte dos tuberculosos: 2,4 milhões de casos, 540
mil mortes registradas por ano — e o número pode ser
maior, pois a subnotificação é comum.

Prisão,
doença e exclusão
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio organizou mutirão
com 20 profissionais de saúde para examinar os 1.250 presos
amontoados na Polinter, no Centro do Rio de Janeiro. No primeiro
dia (29/9), dos 100 presos atendidos 90 tinham sarna, quatro, suspeita
de tuberculose; dezenas podem estar contaminados pelo HIV. Cinco
presos foram transferidos com urgência para o Hospital Central
Penitenciário, um deles com distúrbios de fala: tinha
uma bala alojada na cabeça. “O trem da sociedade progride
quando a gente empurra o último vagão, que é
o do doente mental, que é o do presidiário”,
lembrou o procurador Humberto Jacques em entrevista à Radis
(nº 26). “Você mede o progresso da sociedade pelo
grupo vulnerável, pelo mais fraco.”
Segundo uma autoridade policial do Rio, a entrega de duas casas
de custódia, com 260 vagas cada, e de uma penitenciária
federal para 800 presos resolverá o problema da superlotação
no estado. Será? O Brasil segue rapidamente o caminho americano,
de mais e mais prisões para mais e mais criminosos. Nos Estados
Unidos, a população carcerária vem crescendo
de modo assustador: gira em torno de 2 milhões, e 6,6 milhões
vivem sob algum controle correcional.
O lingüista e ativista social Noam Chomsky diz que o principal
pretexto para o encarceramento crescente tem sido a “guerra
contra as drogas”, o que para ele tem muito pouco a ver com
drogas, e mais com o controle social (no mau sentido): o objetivo
real seria a eliminação das pessoas “supérfluas”
do ponto de vista da geração de lucros, pessoas que
amedrontam as demais (novas palavras para a velha definição
de Marx: “As prisões são a lixeira do exército
industrial de reserva”).
Chomsky lembra que o absurdo chegou a tal ponto que a construção
de prisões hoje é um dos negócios mais lucrativos
dos EUA. Além disso, o gasto com pessoal correcional é
o maior nos orçamentos dos estados, a especialização
que mais cresce nas faculdades de Direito é a Justiça
Penal, e os sindicatos que mais incham são os de guardas
de prisão.

Nobel, melhores e piores
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e
seu diretor, o advogado egípcio Mohamed el-Baradei, receberam
o Prêmio Nobel da Paz de 2005 — concorriam 199 candidatos
— “pelos esforços em prevenir que a energia nuclear
seja usada para fins militares e para garantir que seja usada para
fins pacíficos, da forma mais segura possível”.
El-Baradei ganhou fama ao esvaziar as pretensões dos EUA
de conseguir apoio da ONU à invasão do Iraque. Seus
relatórios sobre a capacidade militar dos iraquianos afirmaram
que nada indicava que Bagdá detinha armas de destruição
em massa, inclusive nucleares. Foi duramente criticado pelo governo
americano e pela imprensa. No ano passado, a AIEA pressionou o Brasil
para que permitisse fiscalização da fábrica
de enriquecimento de urânio em Resende (RJ).
O Ig Nobel da Paz, concedido anualmente por estudantes da Universidade
de Harvard (EUA) a experimentos inúteis, saiu para uma dupla
de neurocientistas de Newcastle, no Reino Unido, pela seguinte “pesquisa”:
um gafanhoto foi exposto a cenas do filme Guerra nas estrelas, com
um eletrodo testando os neurônios de seu sistema visual.

Boicote a genéricos dá
multa
Cinco anos e meio depois, a punição. O Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça,
condenou em 14 de outubro 20 grandes laboratórios farmacêuticos,
a maioria multinacionais, por formação de cartel:
em julho de 1999, promoveram reunião para planejar boicote
aos medicamentos genéricos.
A reunião da indústria farmacêutica ocorreu
no lançamento dos genéricos no mercado. Como são
cópia dos remédios de marca com preços menores,
poderiam representar uma perda potencial para o faturamento de muitos
laboratórios. Segundo Rigato, nos Estados Unidos, por exemplo,
a chegada dos genéricos resultou numa perda anual de US$
12 bilhões para os fabricantes de medicamentos de marca.
A ata da reunião veio a público, provocando escândalo
e resultando na abertura de processo administrativo da Secretaria
de Direito Econômico e da CPI dos Medicamentos, em 1999. Também
foi instaurado processo criminal contra as empresas, arquivado em
2002 pelo então juiz da 4º Vara Criminal de São
Paulo, João Carlos da Rocha Mattos, posteriormente preso
por vender sentenças. A decisão não foi unânime.
Por três votos a dois, os conselheiros decidiram que 19 empresas
terão de pagar 1% de seu faturamento bruto no Brasil em 1998,
ano anterior à instauração do processo; o laboratório
Janssen-Cilag levou multa de 2%, por ter organizado a reunião.
As empresas multadas: Abbott Laboratórios do Brasil, Ely
Lily do Brasil, Indústria Química Farmacêutica
Schering Plough, Produtos Roche Química e Farmacêutica,
Pharmacia do Brasil, Laboratório Biosintética Ltda.,
Bristol — Myers Squibb Brasil S/A, Azentis Pharma Ltda., Bayer
S.A., Eurofarma Laboratórios Ltda, Akzo Nobel, Glaxo Wellcome,
Merck Sharp Dome Farmacêutica, Astra Zeneca, Boeringher Ingelheim,
Aventis Behring Ltda, Sanofi-Synthelabo Ltda, Wyeth-Whitehall Ltda,
e Byk Química Farmacêutica Ltda.

Balanço do Fome Zero
Na
abertura da Semana Mundial da Alimentação (11/10),
o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus
Ananias, anunciou os resultados do Fome Zero. Desde 2003, o governo
federal destinou R$ 27 bilhões às ações
de combate a pobreza que integram o programa. Com o Fome Zero, o
Brasil passou a ter a uma política nacional de combate à
fome, disse. São 31 programas e projetos executados por vários
órgãos federais, alguns em parceria com a sociedade
civil. Essa política engloba produção de alimentos,
acesso a alimentação adequada e transferência
de renda com geração de trabalho e melhoria da qualidade
de vida da população mais carente.
“O Fome Zero não é apenas um programa social.
É um conjunto de políticas governamentais e não-governamentais
para erradicar a fome e a desnutrição”, disse
Patrus. “Temos ainda muitos desafios, mas já podemos
dizer que estamos vencendo a luta contra a fome”.
O secretário-geral da Cúpula de Chefes de Estado
e de Governo Ibero-Americanos, Enrique Iglesias, disse em 14/10,
na reunião em Salamanca, Espanha, que o projeto Bolsa-Família
do governo brasileiro é exemplo para a América Latina.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse por sua vez
que o “objetivo prioritário do evento deveria ser a
luta contra a pobreza”. Ele sugeriu aos 22 governos participantes
que insistam no combate à corrupção e no compromisso
com as Metas do Milênio e que se ocupem dos excluídos.
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SÚMULA é produzida a partir do acompanhamento
crítico do que é divulgado na mídia impressa e eletrônica. |


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